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Combater notícia falsa, ferramenta cidadã para o bom jornalismo.

 

Marcelo Pereira

Diretor Executivo

Ouvi dizer" talvez seja a frase mais adequada para pavimentar o perigoso caminho da desinformação. Mais nocivo que a fofoca de quarteirão, o boato em tempos de internet é uma praga que assola a humanidade. Checar uma informação antes de passar à frente é tarefa básica da boa convivência e da responsabilidade social. No jornalismo, trata-se de instrumento primário de qualquer ação editorial, mesmo que ela jamais se torne pública. É o chamado beabá, sem o qual nenhum jornalista poderia sentar-se diante de um computador. Mas a praga do boato tornou-se tão poderosa e ampla, que o jornalismo de qualidade tem sido desafiado a quebrar a espinha dorsal desse mecanismo mundial, usado para fins os mais diversos, sejam políticos ou para mero entretenimento, reprovável obviamente. A mídia de relevância demorou para reagir, mas sua resposta tem sido proveitosa. Várias ações além-fronteiras têm se dedicado ao tema, com os gigantes Google e Facebook. Diversas entidades e agências independentes foram criadas ao longo dos últimos anos para combater a notícia falsa e colaborar para semear um ambiente de jornalismo saudável.   No Brasil, vale destacar a Agência Lupa (http://piaui.folha.uol.com.br/lupa/) e a Agência Truco de Jornalismo Investigativo (http://apublica.org/truco/). Na Argentina, destaque para o Chequeado (chequado.com), na Espanha para o programa El Objetivo no canal de televisão LaSexta (http:www.lasexta.com/) e na Itália para o site http://pagellapolitica.it. Na região de Campinas, o jornal Correio Popular (correio.com.br) abraçou a causa do combate ao noticiário falso, com uma coluna diária em sua versão impressa. Neste mês, com o apoio do Google, uma parceria entre a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e o Knight Center for Journalism in the Americas, da Universidade de Austin, no Texas, resultou num curso on-line para treinar jornalistas e outros profissionais interessados. A ideia é criar uma frente global de enfrentamento, espécie de "milícia do bem" contra a boataria que ilude os incautos e atrapalha a sociedade. No mais, vale sempre o princípio de desconfiar. E, se possível, checar!